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segunda-feira, 01 de março de 2010 | 20:22

Resgate da memória do Presidente João Goulart

Edson Khair

Hoje,  segunda-feira, dia 1º de março de 2010, sigo para Porto Alegre em companhia de Rosalice Fernandes, ex-deputada cassada pela ditadura militar, para entrevistar o agente da repressão uruguaia, Miguel Neira Barreiro, preso em Porto Alegre tendo confessado espontaneamente ter participado do complô para assassinar o presidente João Goulart.

Tal empreitada criminosa,  ou seja, o envenenamento de Jango foi feito a pedido do governo militar brasileiro, à época “presidido” pelo general Geisel. Tal encontro-entrevista foi possível graças a intermediação de Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul. fundador do PT, juntamente com o então parlamentar Edson Khair, em 1979, primeiro parlamentar a assumir o PT, no sindicato dos trabalhadores metalúrgicos de São Bernardo.

Olívio Dutra é político, é íntegro, por isso mesmo, “abafado” por Lula e seus epígonos dirceunianos. O ex-governador Olívio Dutra promoveu o encontro através do deputado Adão Villaverde. O sicário uruguaio detalhou a forma do crime. Foi encarregado juntamente com outro agente da repressão uruguaia de trocar  a medicação anticardíaca de Jango, substituindo-a por substâncias preparadas pela CIA, que provocaram o infarto do ex presidente Goulart.

Tal assassinato, cometido e planejado pela Operação Condor, ocorreu a 6 de dezembro de 1976, em Mercedes, em sua fazenda.  A empreitada delituosa  já havia assassinado políticos democratas e socialistas, que, na visão do governo norte americano, em seu delírio persecutório ,julgava-os antiamericanos.

A família Goulart já entrou com ação indenizatória contra o governo norte-americano. A confissão do embaixador Lincoln Gordon, no Brasil à época do golpe militar de 1º de abril de 1964, sobre da participação de seu governo na conspiração e queda do governo constitucional de Jango, autoriza tal reparação moral e financeira que a família Goulart reinvidica .

O embaixador americano confessou ainda que desde a época da posse  de Jango o governo norte-americano monitorava-o. Por ocasião da visita de Jango aos EUA, o presidente brasileiro foi recepcionado em Washington e Nova Iorque com desfile em carro aberto com Kennedy e Jango recebendo chuva de papeis picados dos edifícios. Paralelamente, foi “convidado’’ a visitar instalações militares navais e terrestres do Pentágono, sendo e saindo ‘’convencido” da intervenção do governo americano em caso de rebelião conservadora contra seu governo constitucional. Assim, o presidente dos trabalhadores. cuja proposta política era reformista, jamais revolucionaria, optou em 64 pelo exílio. Decisão que lhe foi fatal.

6 comments to Resgate da memória do Presidente João Goulart

  • José Antonio

    Quando há a possibilidade de “indenizações”, não faltam interessados. Jango em 1976 significava ameaça “zero”. Se doze anos antes, o único disposto a pegar em armas na defesa de seu governo era o cunhado Brizola, agora, no meio da década de 70, nem este juntaria mais que meia dúzia de gatos pingados para sustentar qualquer pretensão de retomada do poder. Sem falar que viviamos uma pax revolucionária e desenvolvimentista. Sem chance.
    Quando muito matéria para vender as finadas, O Cruzeiro e Manchete.

  • Luis

    Prezado Helio,
    Estou usando este comentário sobre Jango para levantar um outro ponto não muito comentado.
    Ninguém (é forte – melhor – quase ninguém) na mídia (domesticada ou não) foca seu olhar crítico ao poder judiciário.
    A crítica que faço é sobre o excesso de formalismo – dos ritos, processos e das interações – que preside as ações deste poder, desconsiderando o outro lado, a sua missão institucional que é a jurisdição propriamente dita (dizer e mandar cumprir o direito).
    Entendo que este poder tem sim uma grande responsabilidade sobre as ondas de lama que vez e sempre temos presenciado.
    Se o judiciário fosse mais célere, sem duvida correria riscos e erraria, mas seria mais útil à sociedade brasileira.
    Note-se que nas questões patrimoniais, morais e administrativas eventuais injustiças podem ser revertidas com algum custo (indenizações) mas podem ser revertidas.
    O que é e tem sido díficil de tolerar é a falta de hombridade e de posicionamento dos nobres julgadores, que escondem-se atrás do formalismo de nossas leis processuais e das palavras incompreeensíveis para a massa ignara ou patuléia.(royalties para Élio Gaspari)
    Assim fazendo, equiparam-se àqueles funcionários públicos abjetos que pegos em desídia, alegam em sua defesa ou seguir as normas ou a falta delas, e que ao fim e ao cabo, não atendem a finalidade para a qual foram contratados. (querem apenas proteger a sua aposentadoria integral).
    Atenciosamente,
    Luis

  • Proposta de Jango ser reformista e não revolucionária.
    As “reformas de base” eram do Brizola, cujo modelo se baseava no que estava sendo aplicado em Cuba. Jango não passava de um estancieiro que se projetou na política nas costas do Getúlio Vargas. Nunca disse à que veio, no que tange à política trabalhista. Se apoiou nos sindicatos pelegos que o Getúlio copiou do Mussulini.
    Endeusar os Jucelinos e Jangos da torpe política brasileira é indiretamente apoiar a continuidade dos golpes no nosso país. Para todos efeitos, todos petistas defendem a tentativa de golpe perpetrada através do que pomposamente chamam de 3º PNDH, quando não passa de um golpe de Estado.
    O que político nenhum apresenta, pelo menos nunca li, é um programa que contemple a sociedade dentro de um regime de liberdades reais e não apenas consentidas, juntamente com distribuição de renda em função do trabalho prestado.
    É sempre a mesma arenga: comunismo cretino e burro ou capitalismo selvagem. Não obstante ambos aplicarem a lei do mais forte. Num, o Estado subjuga, no outro, o capital. Em ambos, a sociedade é quem paga a conta.

  • José Antonio

    Hélio, você censurou meu comentário. Isso demonstra que não é melhor do que aquilo que combate. Serve também para confirmar a tese de que liberdade de imprensa não existe. Quando muito, existe liberdade para os dono de jornal.

  • pedro

    edsom khair está querendo aparecer.

  • José Antonio

    Registro que todos os meus comentários foram publicados. Obrigado, Hélio.

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