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sexta-feira, 30 de julho de 2010 | 07:10
Esse 22 de julho, histórico, pela repercussão, violento pelo precedente, arbitrário pela forma, inaceitável pelo fato de todos dizerem que estávamos em pleno regime democrático. Aparentemente era isso mesmo, a nova ditadura (a segunda República) só existiria 9 meses depois, o tempo de gestação de uma vida.
No caso, do ponto de vista das instituições, a anti-vida, o holocausto, nas manchetes apenas um homem, mas por trás, todo um país, a comunidade inteira, os interesses colossais e monumentais que se movimentavam (antes do episódio e depois dele) eram de tal vulto, que justificavam qualquer violência.
Eu escrevia artigo e coluna diários, desde 1956, no bravo “Diário de Notícias”, a maior circulação do Rio, combatia mesmo, com nome e sobrenome, principalmente das grandes empresas que exploravam o Brasil de todas as maneiras. Não pararam de me perseguir, conseguiram finalmente em 1966, três anos depois, quando era candidato a deputado federal pelo MDB.
Tido e havido como o mais votado, comparavam com o que acontecera com Brizola em 1962. Ainda governador do Rio Grande do Sul, mas disputando pela Guanabara, governada por Lacerda.
Por volta da 1 da madrugada, um informante precioso parou o carro na porta da casa onde moro desde 1962, no alto do Jardim Botânico, me entregou um envelope, que tinha do lado de fora dois carimbos: “SIGILOSO” e “CONFIDENCIAL“.
Era uma circular assinada pelo ministro da Guerra do presidente João Goulart, se chamava Jair Dantas Ribeiro. Destinada apenas a 12 generais, o número deles, na época, era pequeno. Quem me entregava a circular SIGILOSA-CONFIDENCIAL era um deles, Cordeiro de Farias.
Como eu disse outro dia, em 1963 (até 1967) existiam matutinos e vespertinos. A Tribuna da Imprensa, como outros vespertinos, começava a circular ao meio dia, pude publicar a circular, na íntegra, no mesmo dia 22.
Estranhíssima, dúbia e contraditória essa circular. O general era ministro da Guerra de João Goulart, e denunciava um pretenso “MOVIMENTO COMUNISTA” para dominar o país. Estaria contra essa “COMUNISTIZAÇÃO“? Ou contra o presidente da República? Teria autorização do presidente? Ou agiria à revelia dele? Nunca se esclareceu.
Como acontecia diariamente, chegava ao jornal às 6 da manhã (saíra na véspera às 6 da tarde), metade do jornal estava feita. Resolvi publicar a circular na Primeira, logicamente sem o nome do general-informante, ele mesmo depois se identificaria aos meus advogados.
Junto com a circular, a explicação, que cito de memória, o jornal continua fechado, a perseguição à Tribuna da Imprensa não TEM nem TERÁ FIM. (Apesar do VOTO DO RELATOR DO SUPREMO, Celso de Mello, ministro e decano, que declarou que o processo transitara em julgado, e mais, TAXATIVO E TEXTUAL: “A UNIÃO TEM QUE PAGAR A INDENIZAÇÃO À TRIBUNA DA IMPRENSA, I-M-E-D-I-A-T-A-M-E-N-T-E”.
Publiquei a circular com a explicação simples e objetiva: “Se o Brasil estivesse em guerra com outro país, examinaria se a publicação da circular, poderia trazer prejuízos. Como o Brasil não está em guerra nem mesmo contra os seus exploradores, tenho não só o DIREITO, mas a OBRIGAÇÃO de publicar esse documento que ameaça o país”.
Só isso, e mais o documento oficial e os carimbos, com bastante destaque. Na época a repercussão do jornal era instantânea. Logo, logo os telefones não paravam. Se formaram filas de jornaleiros querendo mais exemplares, foi a terceira maior tiragem da existência do jornal, superada apenas em 1966 e 1967.
No mesmo dia, ia fazer um programa de televisão em Belo Horizonte, (TV Alvorada, Associada, a mais importante do estado) não alterei meu roteiro. Ia viajar às 4 da tarde, viajei, apesar das indicações de que seria preso. Não era bravata ou excesso de coragem, não podia, antecipadamente, me render aos que iriam me prender.
Tive o prazer, no aviaõ, de ir conversando com a grande e belíssima cantora Ester de Abreu, esqueci de tudo. Quando saltei, o aeroporto estava cheio de jornalistas, que me acompanharam nesse fim de tarde e início de noite. Todos sabiam que eu ia ser preso, parecia um fato e não suposição.
Também me esperavam dois assessores especiais do governador Magalhães Pinto, com o recado dele: “Você não vai falar na televisão e será preso, está decidido. Se você quiser voltar para o Rio agora, de carro, não haverá o menor problema”.
Agradeci a informação, (como governador, dava notícia OFICIAL). Quanto ao fato de voltar para o Rio, sem resposta, tanto fazia ser preso no Rio ou em BH.
Por volta das 20,30, me encaminhei para a televisão, acompanhado por aquele grupo de jornalistas. Jamais esqueci ou deixei de agradecer.
Na entrada do prédio, me esperando, o diretor de jornalismo da televisão. Constrangidíssimo, comunicou: “Helio, recebemos ordem de que você não pode falar, temos que cumprir”. Me convidou “para subir”, não tinha sentido. Fui preso logo depois, na porta do hotel, e levado para a ID-4 (Infantaria Divisionária da 4ª Região), comandada pelo general Carlos Luiz Guedes, que em abril de 1964 teria grande destaque, junto com o também general Mourão Filho.
Fui bem tratado, um coronel me comunicou que eu estava à disposição do ministro da Guerra, e pela manhã, “bem cedo” (fez questão disso) iria para o Rio. Dormiria ali, podia telefonar para quem quisesse. Liguei para Rosinha, minha mulher, preocupadíssima, me deu recado dos meus amigos, advogados Prudente de Morais neto e Adauto Lúcio Cardoso. Falaram: “Assim que for oficializada a prisão, entraremos com habeas corpus no Supremo. É o caminho natural, e a única ação que não precisa de procuração”.
Antes de ser levado para onde dormiria, pude “sentir” o terrível “clima” de divisão da “nação militar”. Muitos não se falavam, não se entendiam, se suportavam por causa da hierarquia e disciplina, base da existência militar. Acordei às 6 da manhã, lógico, não dormi, nem havia o que ler.
Às 7 horas fui levado para o refeitório comum, aí, a explosão da discórdia, da indisciplina, da divergência geral. Visível a hostilidade entre eles, e mais ou menos oculta, a hostilidade aberta contra mim. Mais de 100 oficiais presentes, uns fizeram questão de sentar onde eu estava, outros perguntavam, alto para que eu escutasse: “O que esse SUJEITO (textual) está fazendo aqui?”
Antes das 8 horas entrei no avião que me levaria (na época, traria) para o Rio. Trajeto curto, no Santos Dumont um carro me esperava. Levado para a Polícia do Exército, foi a minha chegada e entrada na Barão de Mesquita. Ainda não era o terrível Codi-Doi, depois Doi-Codi, que frequentei com assustadora assiduidade. Naquele dia, apenas DE PASSAGEM.
O comandante do Batalhão da Polícia do Exército, era o coronel Domingos Pinto Ventura Jr. Grande figura, ficou meu amigo até morrer, aos 91 anos. Como participara da FEB, foi presidente da Associação dos Expedicionários, não deixavam que saísse.
Me levou para um cubículo de 3 por 4, não era o que me preocupava, e sim o que disse: “Jornalista, o senhor ESTÁ PRESO INCOMUNICÁVEL POR ORDEM DO MINISTRO DA GUERRA. NÃO PODE RECEBER FAMILIARES OU ADVOGADOS“. Mais tarde eles chegaram. Além de Adauto Cardoso e Prudente de Moraes neto, Sobral Pinto e Prado Kelly. O coronel, educado e articulado, comunicou: “Os senhores não podem falar com o jornalista. Estou cumprindo ordens do ministro da Guerra”.
Para completar a farsa, outra determinação do ministro: como eu tinha direito à PRISÃO ESPECIAL, e além do mais não cometera nenhum crime, colocaram na porta do cárcere, um papel escrito: “PRISÃO ESPECIAL”.
***
PS – Fiquei apenas mais dois dias na Barão de Mesquita, com todas as restrições, até a comida era levada para o meu catre. Mas o coronel ia sempre conversar comigo. Obrigatoriamente, dois soldados perto, um deles estava lendo o “Jornal dos Sports”, perguntei ao coronel se podia me emprestar.
PS2 – Constrangidíssimo respondeu: “Não posso, jornalista, estaria desobedecendo a ordem do ministro”. Mas me levava livros sobre Napoleão, lógico, ídolo militar, livros sobre ele, em todo e qualquer quartel.
PS3 – Época de adversidade, estávamos em plena crise de energia, (o famoso RACIONAMENTO) a partir das 6 da tarde, ficava tudo completamente escuro. Tinha que empurrar uma mesinha, para através de uma janela estreita, ver a luz dos faróis dos carros que passavam.
PS4 – Dia 24 ou 25, fui levado para Brasília, por ordem do presidente do Supremo, ministro Ribeiro da Costa. (Amanhã, termino. O episódio é rigorosamente histórico, não pela minha prisão, mas por tudo que ela envolvia).
AMANHÃ: O FIM DA HISTÓRIA
Pediram 15 anos de prisão por causa da publicação de uma
circular SIGILOSA E CONFIDENCIAL. Se eu tivesse
cometido homicídio, quanto pediriam?
sexta-feira, 30 de julho de 2010 | 07:00
Carlos Chagas
Não é de hoje que se critica a existência de monumental número de leis vigentes no país, umas necessárias e outras, nem tanto. Só que agora está demais. Na mesma semana em que o presidente Lula autorizou a inclusão no Estatuto do Menor da cláusula proibindo os pais de dar palmada nos filhos, acaba de ser sancionado o Estatuto do Torcedor, com outras bobagens. Uma delas é de responsabilizar as torcidas organizadas por quaisquer atos de violência de seus integrantes. Outra, de punir com pena de cadeia os juízes que errarem, prejudicando o resultado das partidas.
Quer dizer, se em pleno Maracanã, cercado por bandeiras do Flamengo, um cidadão enfiar o canivete na barriga de outro, será aberto um processo contra os dirigentes da torcida rubro-negra? E se um determinado árbitro não viu que a bola entrou, deixando de dar o gol, será condenado à prisão?
Ainda agora descobriu-se na legislação eleitoral a proibição de candidatos a presidente da República tornarem-se objeto de sátira em programas humorísticos de televisão. Para não falar que chefes de executivo federal, estadual e municipal não podem exprimir suas preferências eleitorais, muito menos comparecer a comícios e recomendar o voto em seus candidatos.
Estes e mil outros exemplos entram no rol das leis que não pegam, apesar de repetidas. Quantas vezes tomamos conhecimento de dispositivos acabando com a firma reconhecida para documentos públicos e privados? O próprio governo que determinou a dispensa é o primeiro a exigir o carimbo do cartório. Convenhamos, quanta besteira…
Conspiração do silêncio
Já se vão cinco dias da divulgação da existência de um relatório da Agencia Brasileira de Inteligência denunciando que governos e ONGs estrangeiras tramam a transformação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol em Estado Independente, com atividades políticas, administrativas e judiciárias próprias. Até agora, nem uma palavra do palácio do Planalto, para onde foi enviado o relatório, muito menos dos ministérios da Defesa, das Relações Exteriores e da Justiça.
Registre-se, também, o comportamento da mídia. Nenhuma repercussão, muito menos investigação. Paranóias à parte, dá para pensar numa conspiração do silêncio. Governo e meios de comunicação fingem ignorar o risco que sofre nossa soberania, porque depois de caracterizado um Estado Independente, o próximo passo será o reconhecimento de uma Nação Soberana chefiada por índios e tutelada por países ricos e suas multinacionais.
Estariam o presidente Lula, seus ministros e os barões da imprensa com receio de represálias externas? Ou não dão maior valor ao território onde se localizam as reservas indígenas, pleno de minerais estratégicos, biodiversidade e outras riquezas?
Milagres do contrabando
Décadas atrás um despretensioso filme italiano fez sucesso inesperado apenas por conta de sua abertura. Na fronteira entre Itália e França um contrabandista encenado por Totó era preso por um guarda representado por Fernandel. O agente da lei quis ver o que o meliante carregava nas costas, não acreditando ser apenas água, como disse o outro. Aberto o saco de couro, verificou tratar-se de vinho da melhor qualidade. Totó caiu de joelhos, braços estendidos para o céu, exclamando: “Milagre! Milagre! São Genaro transformou a água em vinho!”
A piada se lembra por conta do pedido de desculpa de Índio da Costa depois de haver caluniado e difamado o PT, que acusou de estar ligado às Farcs, ao narcotráfico e ao Comando Vermelho. Disse o singular candidato a vice-presidente da República que o PT mantinha entendimentos com as Farcs, que por sua vez compunha-se com o narcotráfico, que de seu turno abastecia o Comando Vermelho. “Logo, o PT relacionava-se com o Comando Vermelho…” Milagre igual, só mesmo com São Genaro.
Dispensando a viagem
Perguntaram ao presidente Lula se depois de deixar o governo fará o mesmo que a maioria de seus antecessores, viajando para longa temporada no exterior. Foi o que fizeram, de Juscelino Kubitschek a Fernando Henrique.
O primeiro-companheiro não titubeou, concordando que irá mesmo viajar, mas de Brasília para São Bernardo, pretendendo permanecer lá por muito tempo. O interlocutor replicou, perguntando se a próxima viagem seria, quatro anos depois, para Brasília, ouvindo a tréplica: “Em Brasília só irei para visitar minha amiga Dilma, lá no palácio do Planalto…”
sexta-feira, 30 de julho de 2010 | 06:26
Pedro do Coutto
A Folha de São Paulo publicou em sua edição de 28 de julho, Caderno de Economia, que no primeiro semestre deste ano a venda de jornais cresceu 2% em relação ao mesmo período de 2009 atingindo a média diária de 4 milhões e 225 mil exemplares. A população aumentou 1,2%. O faturamento alcançou R$ 1,3 bilhão, crescimento comparativo da ordem de 7,8%. A fonte da informação é o presidente-executivo do IVC, Instituto Verificador de Circulação, Pedro Martins Silva. No mesmo espaço de tempo, a internet faturou 414 milhões em publicidade, um terço do produto publicitário dos jornais. Como ninguém joga dinheiro fora, muito menos em empresas anunciantes, deduz-se que se enganaram aqueles eu achavam (ou acham) que a web poderia ocupar o lugar da imprensa. Nada disso.
Como digo sempre, se vale Freud, vale Marx. E me lembro do belo título do psicólogo e pensador alemão Erich Fromm: Meu Encontro com Freud e Marx, década de 1950. Humor à parte, o fato é que os meios de comunicação complementam-se entre si, adicionam-se, um não substitui o outro. Os jornais não acabaram com os livros. O rádio não acabou com os jornais. O cinema acrescentou-se ao rádio. A televisão não anulou nem o rádio, tampouco o cinema. A internet surgiu para se acrescentar a todos eles. Ótimo isso. Ganha a informação, ganha a opinião, ganha a cultura universal.
O faturamento publicitário, identificado pelo Projeto Inter Meios, reflete o grau de circulação e audiência. Por isso, dos cerca de R$ 11,8 bilhões comercializados em publicidade nos seis primeiros meses do ano, R$ 6,3 bilhões foram capturados pelos canais de TV, incluindo abertos e os por assinatura. Confrontando-se o resultado com períodos anteriores em que o volume publicitário esteve estacionado na escala de $ 10 bilhões a cada 12 meses, algo em torno de quase R$ 18 bilhões, em 2010 vai ultrapassar esta barreira, devendo fechar o exercício com cerca de R$ 22 a 23 bilhões. Já focalizamos o faturamento dos jornais, da televisão, da internet. Falta o das emissoras de rádio: R$ 420 milhões de reais de janeiro a junho. Um pouco mais que o da Internet ultrapassa o rádio, pois este aumentou 18,5% de um ano para outro, enquanto a internet avançou 34%.
Uma tendência. Mas que não se afirma por si. Pois é preciso saber se o movimento comercial da web está ou não no seu teto. Isso porque é difícil a rede de computadores conectada superar a barreira de 30% dos domicílios brasileiros , ou seja 9 milhões de residências, pela questão inultrapassável do poder aquisitivo. O país possui 58 milhões de domicílios, segundo o IBGE, portanto 58 milhões de famílias. Só 30% têm plano ou seguro de saúde, algo absolutamente indispensável. O computador vem logo depois do plano de saúde. Quanto custa uma internação hospitalar? Impossível os assalariados poderem arcar com a despesa. É essencial.
As agências de publicidade, os bancos, o comércio, os governos devem ler com atenção a matéria publicada pela Folha de São Paulo. Vão encontrar uma síntese da realidade que envolve a comunicação brasileira e observar bem o mercado de informação e opinião que se descortina. Eu falei em opinião. Neste aspecto, a imprensa escrita domina totalmente o panorama. Uma questão de espaço. Se alguém na tela da TV se reservar a comentários fará com que telespectadores e ouvintes mudem de canal ou de estação. Ou então que desliguem os aparelhos. Opinião detalhada é algo próprio de linguagem escrita. Não da falada.
quinta-feira, 29 de julho de 2010 | 11:24
OS “meninos da Vila” voltaram a dar show de categoria e habilidade no controle da bola, mas falharam completamente no quesito FINALIZAÇÃO.
No primeiro tempo, ou melhor, nos primeiros 30 minutos, o meio do campo, em vez do VERDE do gramado, era todo BRANCO, da camisa dos jogadores. Mas não saíram do 1 a 0. Depois do gol, esse meio campo ficou dividido com o adversário.
No segundo período, a mesma coisa, os “meninos” não sabiam onde ficava o gol adversário, prevalecia o 1 a 0 assustador. Logo depois do 1 a 0, Robinho perdeu um gol tão fácil que ele mesmo ficou mordendo os lábios. A seguir, André jogou fora outra bola que deveria ter entrado. Ele mesmo, envergonhado, se jogou no chão. Mas tarde, o próprio Ganso, duas vezes, S-O-Z-I-N-H-O, na frente do goleiro, não marcou.
Como justificar o pênalti de Neymar?
Só usando uma palavra: I-N-E-X-P-L-I-C-Á-V-E-L. o “menino” vinha jogando bem, embora marcadíssimo. Fez gol de barriga, (royalties para Renato Gaúcho, num clássico) mas era o que dava no momento. Depois, numa “caminhada” admirável” driblando os adversários, foi derrubado claramente e quase perto do goleiro, pênalti, ninguém reclamou.
Comemoram antecipadamente, Neymar foi bater, tentou fazer o que chamam de “cavadinha”, o goleiro ficou parado, a bola foi jogada exatamente onde ele estava. Mais uma chance perdida.
Minutos depois, Dorival Jr., desesperado com esse 1 a 0, que era quase derrota, resolveu mexer no time, tirou 3 dos convocados para a seleção do Mano: Ganso, Robinho e André. Não tirou o Neymar, porque só podia substituir 3 e ele havia perdido o pênalti, seria desatroso.
***
PS – Marquinhos, que entrou, logo, logo, de falta, fez o segundo gol, melhorou para o Santos, mas não a ponto de garantir a vitória e o título, quarta-feira que vem.
PS2 – Esse resultado é o mais enganador possível. No fim do jogo de ontem, o Vitória tentou de todos os modos, fazer pelo menos 1 gol. No seu estádio, na Bahia, tentará logo fazer esse gol que não conseguiu.
PS3 – Digamos que consiga, o Santos pode perder a tranquilidade, o jogo e o título.
PS4 – Se acontecer, desastre irreparável.
quinta-feira, 29 de julho de 2010 | 11:08
As investigações sobre o pretenso ou suposto assassinato da ex-amante do jogador do Flamengo, entraram numa “zona de desconhecimento”. Os delegados (e delegadas) não fazem o jogo que faziam, nem “vazam” depoimentos para serem publicados com EXCLUSIVIDADE.
O grande “nó górdio” de tudo: a total e completa ausência do corpo da mulher que teria sido assassinada. Como fui o único a lembrar e revelar o caso do advogado Leopoldo Heitor, duas vezes absolvido da acusação por não ter aparecido o corpo da vítima, Dana Tefé, vou mostrar o que acontece nos EUA.
Anteontem, na televisão, série sobre um assassinato. A polícia prendeu um suspeito, suas provas, entregues à Promotoria, são precárias. O CORPO e a ARMA, não existem. O procurador geral da Justiça (eleito de 2 em 2 anos) conversa com o promotor, seu subordinado (nomeado) sobre o caso.
Palavra do procurador: “Você não vai conseguir convencer os jurados, a não ser que o CORPO APAREÇA”. Resposta do promotor, que terá que fazer a acusação: “Eu sei que será DIFÌCIL, mas tenho condições de COLOCAR O RÉU no local do crime”. O superior ri, discordando.
O promotor fez a melhor acusação que pôde, os jurados não aceitaram, absolveram o réu. Por unanimidade, como acontece no mundo todo. Ficção, lógico, mas baseado sempre na legislação e nos precedentes. A carreira de Bruno, seu maior patrimônio, foi embora, mas pode ser que preserve alguma coisa.
quinta-feira, 29 de julho de 2010 | 07:10
Paulo Solon:
“Não conheço Marco Maciel, o magrela do tempo da ditadura. Mas sempre que você se refere a ele, logo me vem à memória ou à lembrança um outro aproveitador, pertencente à direita radical “golpista”, chamado Jarbas Passarinho. Esse Passarinho, mas ainda que o major Curió, só conseguia cargos no tempo da ditadura.Gostava de se exibir com discursos vazios.
Uma vez, como capitão de fragata, trabalhando no Comando da Marinha, fui designado para ir à sua posse como ministro do Trabalho. Quase dormi, na primeira oportunidade, fui embora. Um pretensioso chato de galochas, como se dizia na época”.
Comentário de Helio Fernandes:
Meus parabéns por lembrar e esclarecer um dos personagens mais nefastos, perniciosos e perigosos da ditadura. Não só pela falta de caráter, de escrúpulos, de convicções, mas pelo carreirismo espantoso. Você acertou no coração, ao dizer que só CONSEGUIU CARGOS NO TEMPO DA DITADURA. Comecemos por aí
Em 1964, aos 44 anos de idade, ainda era major, não passaria disso, tinha certeza. Nasceu no Acre, mas servia no Pará, A PEDIDO, prática comum no Exército. Ninguém se aproveitou tanto da ditadura quanto ele. Logo que os generais tomaram o Poder nacional, em 1º de abril de 1964, no mesmo dia Passarinho tomou o Poder estadual.
Começava uma das mais longas e vazias carreiras civis perpetradas (é essa a palavra exata) por um militar. Foi “governador” do Pará, expulsando o eleito. Expulsou também o prefeito de Belém, e colocou no lugar outro major, Alacid Nunes, de quem era padrinho de casamento.
Espertíssimo, Passarinho dominava o Pará, mas queria SER ELEITO E HOMOLOGADO PELO VOTO. Que voto? O da Assembléia Legislativa, acuada, amedrontada ou acompadrada. Isso aconteceu dois meses e meio depois do golpe.
Ficou “governador” até 1966, arbitrariamente passou o cargo ao “compadre” Alacid, se “elegeu” (?) senador no mesmo 1966, o Pará era apenas um trampolim, descobrira a vocação nacional. Lógico, quem poderia VENCER tão iluminado PERSONAGEM?
Chegou à capital como “senador”, mas como já falava pela “Revolução”, ninguém ligava para as aspas. E aí não parou mais, até que foi colhido pelo ostracismo, mas Nossa Senhora, como acumulou cargos.
Assumiu no Senado, saiu no mesmo dia, foi ministro do Trabalho de Costa e Silva, que substituía Castelo Branco como “presidente”. Passou para a reserva como coronel. De uma vez só, deixava o Senado, sem cumprir o mandato, abandonava a carreira militar e ainda ninguém sabia, ficaria pouco tempo como ministro do Trabalho. Costa e Silva sofreu um derrame, foi considerado incapacitado, teve que haver nova eleição.
Foi um fato inacreditável, nessa República também inacreditável. O candidato do grupo que estava no Poder era Orlando Geisel. Mas como os generais já estava divididos, perdão, DIVIDIDÍSSIMOS, lançaram outro nome, o do chefe do SNI, Garrastazu Medici. Diga-se a bem da verdade que não queria, resistiu, mas acabou aceitando.
Pela primeira vez, colocaram urnas em quartéis, navios, bases da Aeronáutica. Orlando Geisel perdendo em todos os lugares, quem ganhava? Não Medici, e sim o general Afonso Albuquerque Lima, de grande prestígio. Mas foi vetado pelo grupo de Orlando Geisel (já aí com apoio do grupo de Medici) alegando que “ele não era general de 4 estrelas, só tinha 3 estrelas, como Superiores podiam fazer continência a um general Inferior?”. Farsa completa.
Aí, desistiram da “eleição”, DIVIDIRAM o governo, Médici “presidente”, Orlando Geisel “ministro da Guerra”, com todos os poderes, Medici não interferiria na Segurança. Medici fez remanejamento no Ministério, Passarinho passou do Trabalho para a Educação, nenhuma importância ou inconveniência, era incapaz para as duas posições. Importante se manter no Poder, e usá-lo discricionariamente, ditatorialmente, arbitrariamente, coisa que fazia muito bem.
Aí não parou mais na CARREIRA, nas entrevistas, nas aparições na televisão, nos acordos. Em 1974, fingiu que deixava o cargo (ou os cargos, ficou 8 anos sem ir ao Senado), mas precisa “ser eleito” por outros 8 anos. Aí teve que ficar no Senado, Ernesto Geisel tinha horror a ele, assumiu a Presidência, nem cogitou dele para nada.
Mas Passarinho era invencível. Em 1983, ainda com Figueiredo no Poder, a ditadura já no chão, foi ministro da Previdência. Esse cargo era um “prêmio de consolação” por ter perdido a cadeira de senador em 1982. Quando surgia aparência de democracia, Passarinho era derrotado. Alacid Nunes rompeu com o padrinho de casamento. Foi eleito governador Jader Barbalho.
Passarinho ficou ministro da Previdência até 1986, quando haveria nova disputa para o Senado. No ano da eleição procurou o senador Sarney, companheiro da ditadura e chorou nos seus braços.
Textual: “Presidente, só me elejo senador se você me ajudar, sem o seu apoio nao posso nem me candidatar”. Sarney, tão esperto, tão carreirista e tão sem convicções quanto Passarinho, perguntou: “Faço o que você quiser, mas nunca fui ao Pará, nem sei o que posso fazer para te ajudar, mas faço o que você indicar”.
Passarinho então deu a “fórmula”. Também textual, e aí rigorosamente histórico, pois marcou uma época na vida pública brasileira: “Sarney, o Jader (Barbalho) não vai disputar nenhum cargo, comandará a eleição, para fazer seu sucessor. São duas vagas para senador, se o governador me apoiar, estou eleito, ficarei te devendo isso.
Sarney continuou sem entender. Passarinho explicou e explicitou o acordo que já havia feito, faltava o “CONCORDO” de Sarney: “Ele me apoia, me elejo, assim que deixar o governo do Pará, você nomeia o Jader ministro. Se eu nao me eleger, Jader não será ministro”. Lógico, Sarney CONCORDOU sem o menor constrangimento ou contrariedade.
Lógico, Jader, mais esperto e sem escrúpulos do que Sarney e Passarinho juntos, cumpriu o acordo, eis Passarinho de volta ao Senado, tomou posse em janeiro de 1987. E logo, com Collor, era ministro da Justiça. Quase não toma posse, a OAB protestou, pela primeira vez um coronel (e que nem conquistara a patente) era ministro da Justiça.
Mas Collor não ligou. Itamar Franco, interino, protestou, e quando Collor viajou, Itamar, interino, DEMITIU o ministro. Collor voltou, READMITIU o ministro, o que fez na mesma hora).
Sua carreira em cargos importantes acabou aí, ficou vegetando em lugares que tinham mordomias, mas nenhum Poder de fato. Sarney cumpriu o ACORDO, INACREDITAVELMENTE nomeou Jader Barbalho ministro da Previdência. Os que não conheciam os fatos, se assombraram. Numa crise política, Sarney teve que mudar ministros, Jader foi PROTEGIDO. De CORRUPTO na Previdência, como grande senhor de terras, foi transformado em ministro da Reforma Agrária.
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PS – A ditadura durou especificamente, 21 anos, de 1964 a 1985, mas dura até hoje, não aparentemente. Só que Passarinho resistiu por mais de 30 anos, de 1964 até 1994, em cargos com mordomias, salários e corporativismo exuberantes.
PS2 – Como “ministro da Educação”, assinou decreto que provocou comoção nacional. O país todo se voltou contra ele, o que fazer? Agia ditatorialmente.
PS3 – No AI-5, o monstruoso instrumento que apavorou e horrorizou o país em 13 de dezembro de 1968, alguns ministros estavam hesitantes, não sabiam se deviam assinar.
PS4 – Passarinho então, pegou o documento, assinou e convenceu a todos, dizendo com veemência: “ÀS FAVAS OS ESCRÚPULOS“. Como se alguma vez tivesse tido escrúpulo, qualquer que fosse a oportunidade do ato, ou até mesmo ATO, como o “AI-5″.
PS5 – Como foi várias vezes “senador”, mesmo com eleição entre aspas e sem ocupar o cargo, montou na TV Senado, estrutura que domina amplamente. Nessa coFndição, já deu diversas entrevistas, no estilo que adora: FALANDO SOZINHO, respondendo perguntas PRÉ-FABRICADAS.
PS6 – Várias vezes deixou ENTREVER ou até AFIRMOU mesmo, que “apesar de sondado muitas veses, jamais quis ser presidente da República”. Ha!Ha!Ha!
PS7 – O Exército jamais ACEITARIA um coronel da reserva como presidente, com aspas ou sem elas. Mas insiste, CONTRARIANDO a hierarquia das Forças Armadas. Como você, Paulo Solon, inicialmente militar, conhece muito bem.
MÃO PERCAM AMANHÃ:
Minha primeira prisão, 22 de julho de 1963,
meu primeiro julgamento no Supremo Tribunal Federal, dia 31 desse
mesmo julho. Todos conspiravam, de um lado e do outro.
Isso, completando agora 47 anos. Inesquecíveis.
quinta-feira, 29 de julho de 2010 | 07:05
Vicente Limongi Neto: “Preferia o Wanderley Luxemburgo, mas Mano Menezes ficou de bom tamanho. Qualquer um é infinitamente melhor do que Dunga. Mano convocou alguns jogadores que já deveriam ter sido lembrados pelo turrão Dunga: Hernandez, Marcelo, Neymar, Ganso e Diego Tardeli. Mano tem aquele jeitão bom de irmão. Não vai querer jamais nadar contra a corrente.
Quem como ele foi vitorioso treinador do poderoso, exigente e popular Corinthians, tem tudo para também ser vitorioso na seleção. Não vai complicar, jamais vai inventar e muito menos contrariar a torcida e ex-jogadores, muitos deles hoje bons analistas de futebol.Pé na estrada. O caminho é árduo e longo. Mano sabe que não vai encantar nem satisfazer ninguém, apenas ganhando torneios e copas sem expressão. Com respeito a todos eles. A missão de Mano é conquistar o hexa para o Brasil em 2014. Mano sabe, não é tolo, que renovar a seleção não significa que não poderá dispor de jogadores experientes. Mesclar a seleção, dando cancha aos mais novos que começaram a ser lembrados, é, a meu ver, fundamental. Bem-vindo, Mano”.
Comentário de Helio Fernandes:
Qualquer um tem sua opinião, principalmente em futebol. Luxemburgo teve a chance, não aproveitou, foi para a Europa, não ressuscitou.
Quanto a Mano, nada CONTRA. E também nada a FAVOR. Apenas chamou jogadores para o jogo do dia 10 de agosto, a Copa será em 2014, muito longe, não, Limongi? E ter que aguentar e se garantir com Ricardo Teixeira, Nossa Senhora, é preciso acreditar muito em Deus.
quinta-feira, 29 de julho de 2010 | 06:01
Pedro do Coutto
A exemplo do que ocorreu com a guerra do Vietnã, em 75, os jornais, as emissoras de televisão e, agora, a internet, juntos, poderão contribuir para um recuo das forças americanas e da OTAN no Afeganistão, tantos e tão realistas são os documentos secretos que no final da semana o australiano Jules Assange tornou públicos ao mundo.
A dimensão da iniciativa e o risco jornalístico de enveredar por um caminho militar ligado à segurança de estados e de pessoas foram tão grandes que, antes de fazer explodir a comunicação eletrônica, o diretor da ONG Wikileaks antecipou o conteúdo do site ao New York Times, ao inglês The Guardian e à revista alemã Der Spiegel.
A CNN, no inicio da década de 70, precipitou a retirada dos Estados Unidos do Sudeste Asiático a partir do momento em que colocou no ar militares americanos detonando a cabeça de prisioneiros ou então lançando-os, sem paraquedas, de aviões e helicópteros.
Lembro bem que a atriz Jane Fonda valeu-se da reportagem controlada pelo então seu marido, Ted Turner, para liderar uma imensa passeata em Washington, em torno da Casa Branca, pelo fim imediato da guerra que fora iniciada em 62 pelo presidente Kennedy, atravessou o mandato de Lyndon Johnson, o primeiro de Richard Nixon, também o segundo, e só acabou em 75 na administração Gerald Ford que assumiu depois do escândalo de Watergate.
A sociedade norteamericana ficou perplexa com o que a imprensa e televisão destacavam. A frase a liberdade não é de graça, usada por Truman na guerra da Coréia, perdeu o sentido com o segundo fracasso na Ásia. Mas eis que, na sequência do tempo, vieram a absurda invasão do Iraque, desencadeada por George Walker Bush, e até o momento mantida pelo presidente Barack Obama, apesar de compromisso de terminá-la a curto prazo assumido na campanha eleitoral.
Provavelmente o complexo industrial militar – denunciado em livro pelo general Eisenhower, que presidiu os EUA do início de 53 ao começo de 61, pois foi eleito em 52 e reeleito em 56 – entrou em ação e somou o Afeganistão ao Iraque, adicionando Bagdad a Cabul. No Iraque, uma série de torturas praticadas, morte de milhares de iraquianos, luta de guerrilha e sobotagens, mais de 3 mil americanos mortos. No Afeganistão, a lista de mortos aumenta a cada dia e, de acordo dom o site de Julien Assage, fatos nebulosos vinculando setores das forças invasoras com o Taleban de Bin Laden.
Os diamantes são eternos, escreveu Ian Fleming, criador de James Bond. A cada dia mais se comprova a teoria na prática. A indústria de armas está por atrás, pela frente, pelos lados dos conflitos. Um mercado que proporciona lucros à base da vida e da integridade de centenas de milhares de pessoas. Ritual macabro esse que parte do princípio da defesa da liberdade e termina com o aprisionamento e a ocultação dele próprio.
As excelentes matérias de Gustavo Chacra, Andréa Murta e Fernando Ainchenberg, publicadas respectivamente nas edições de 27 de julho de O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e de O Globo, focalizaram nitidamente o panorama extremamente crítico que a divulgação dos quase 100 mil documentos secretos causou.
Por intervenção do New York Times, dezenas de nomes de pessoas não vieram à tona, pelo menos por enquanto, para não colocar em risco suas vidas. O impacto mundial está sendo de tal ordem – acentuam os jornalistas – que em seu conjunto essa página singular da história de hoje pode vir a terminar a guerra do Afeganistão amanhã.
quarta-feira, 28 de julho de 2010 | 16:06
Ano passado, ganhou esse insignificante Torneio (250 pontos no ranquing) de Gstaad, na Suíça. Ele muito justamente satisfeito, só que os jornais “badalaram” como se fosse um grande título.
Agora, lá mesmo, foi tentar outra vitória que não obteve em lugar algum. Na última derrota, ele mesmo confessou: “Fui muito inconstante”. Certíssimo.
Mas o que dirá quando perdeu para um tenista desconhecidíssimo, e na primeira rodada? Ganhou o primeiro set no tiebreak, disputadíssimo, para perder o segundo set por 6/0. Não poderia ganhar o terceiro?
quarta-feira, 28 de julho de 2010 | 11:27
Minha nota de hoje sobre nomeações do ministro-presidente do TSE, repercutiu imediatamente. Foram falar com Lewandowski: “O senhor não pode nomear um motorista para cargo de perícia médica, absurdo”.
E o ministro, amavelmente (?): “Podem ficar tranquilos, é só para constar na sua ficha”. Espantoso. Como se o diretor de uma grande hospital nomeasse um advogado como auxiliar do “Cirurgião-Chefe”. Esperam a ANULAÇÃO de tudo.
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