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Lula
nega que eleição tenha vínculo com sucessão
SÃO PAULO
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recusou-se a fazer qualquer
vínculo entre a eleição municipal, encerrada ontem e a
sucessão presidencial, em 2010. Para Lula, uma não tem nada que
ver com a outra, porque as situações são muito diferentes.
Lula fez a afirmação logo depois de votar, no Colégio Estadual
João Firmino de Araújo, em São Bernardo, na região
do ABC.
Ele foi questionado
se o fato de o PT ter sofrido derrotas em São Paulo e Porto Alegre não
atrapalha os seus planos de eleger o sucessor. "É preciso que a
gente separe cada eleição. Quando um cidadão vai votar
para presidente da República, ele vai votar pra presidente; quando vai
votar pra prefeito, está pensando no prefeito."
Lula frisou que
dizia isso não para defender o PT, mas porque ganhou experiência
com as eleições que disputou, principalmente a segunda. "Eu
vivi essa experiência em 2006, viajando pelo Brasil. O que era engraçado
é que o prefeito eleito em 2004 era vaiado e quem era aplaudido era o
cara que era oposição a ele. Então, para mim, essa coisa
não tem muita incidência automática."
Lula citou as campanhas
feitas para a eleição que foi encerrada hoje como reforço
de sua tese de que eleição municipal e presidencial são
diferentes e não se vinculam. "Veja uma coisa, essa foi uma campanha
atípica. É a primeira campanha na história do Brasil em
que todos os candidatos a prefeito, do PT ou do DEM, trabalharam favoravelmente
ao governo. Ninguém falou mal do governo federal. Ninguém falou
mal do presidente Lula."
Foi questionado
a Lula se ele, então, ajudou a eleger prefeitos do DEM, como Gilberto
Kassab, em São Paulo. O presidente respondeu que ajudou prefeitos de
toda parte, de todos os partidos. "Estamos ajudando a eleger todos os prefeitos
na medida em que não tivemos nenhuma atitude de perseguição
a quem quer que seja nas verbas do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). É importante lembrar quanto é que o governador Serra recebeu.
É importante lembrar quanto o prefeito do Rio de Janeiro recebeu. É
importante lembrar quanto foi dado para a Prefeitura de São Paulo. Ninguém
ficava preocupado em saber se o prefeito era de tal ou qual partido. O que a
gente procurava saber é se a cidade necessitava ou não daquele
investimento", destacou.
"O candidato
do PSDB, do DEM, de qualquer partido político, trabalhou com as obras
que o governo federal está realizando", insistiu Lula.
Transferência
Quanto à
eleição presidencial, nessa ele acha que um candidato pode transferir
votos para outro. Lembrou-se de 1989, quando o então candidato Leonel
Brizola (PDT) aliou-se a ele e lhe deu os votos que tinha recebido no primeiro
turno. "Eu poderia pegar 1989, em que todos os votos do Brizola vieram
para mim. Mas por que vieram? Porque era uma coisa trabalhada antes da campanha.
Quando o Brizola decidiu me apoiar, 75% dos eleitores dele já tinham
decidido me apoiar. Obviamente, é preciso saber qual o envolvimento das
pessoas. Não é aparecendo uma vez na televisão ou fazendo
um comício. Você precisa se engajar na campanha para fazer essa
transferência. Por isso, a transferência é plenamente possível."
Segundo Lula, quando
o governo vai bem, consegue transferir votos. Se não está, não
transfere, porque o eleitor resolve mudar. Lula se disse confiante na eleição
dos candidatos do PT, embora não quisesse, em nenhum momento, arriscar
um palpite nem para São Paulo. Tampouco quis falar sobre eventuais erros
da campanha de Marta Suplicy.
"Como vou
avaliar a campanha, se ficaram trabalhando durante todo dia, toda semana? É
importante saber o momento político em que as coisas aconteceram."
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