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Esta
coluna é atualizada às quartas-feiras
Corona
dá banho de alegria num mundo de
água quente
Anos 70
Na propaganda brasileira,
muitas campanhas se tornaram memoráveis mais pelos jingles que embasavam
a trilha sonora do que propriamente pelas imagens ou os slogans. Um caso clássico
são as Duchas Corona, aquelas do um banho de alegria num mundo
de água quente. A Corona foi a pioneira no desenvolvimento de um
chuveiro feito com plástico de engenharia na época, nos
anos 60, o material só era usado para fabricação de utilidades
domésticas, como baldes, mamadeiras e outros itens.
A ducha produzida
com plástico tinha como grande vantagem o preço baixo, o que tornava
o equipamento acessível às camadas mais baixas da população.
Em 1972, a empresa encomendou à Marcels uma campanha para rádio
e TV, a primeira da marca. A agência, por sua vez, passou o briefing para
a Publisol, então uma das maiores produtoras de som de São Paulo.
A encomenda caiu
nas mãos de Francis Monte (nome artístico do músico Francisco
Monteiro) que há tempos esperava uma chance de mostrar seu talento como
compositor. Ele foi descoberto pelo produtor José Mário, o conhecido
Zelão, quando trabalhava com Abelardo Figueiredo na casa de shows O Beco.
Eu fazia músicas para eventos de empresas, convenções
de vendas, lançamento de produtos. O Zelão viu, gostou e me chamou
para trabalhar na Publisol, conta Monte.
Após alguns
meses atuando apenas como músico, o compositor ganhou sua primeira encomenda
de jingle, exatamente o das Duchas Corona. Foi o pontapé inicial de uma
carreira que, em mais de 30 anos, produziu algo em torno de 15 mil jingles,
dos quais cerca de 400 ainda tocam nas rádios. Música pronta,
o trabalho foi apresentado ao staff da agência, que recusou a produção
alegando que o objetivo da campanha era vender chuveiro e não sabonete
apanho um sabonete é o verso inicial das três
estrofes da canção.
Inconformado com
a rejeição, Zelão não teve dúvidas: levou
a fita diretamente ao cliente. O dono da Corona, Amílcar Yamin, adorou
e aprovou imediatamente a música, que acabou se transformando em trilha
sonora de todos os comerciais da empresa nos 12 anos seguintes. No primeiro,
uma das cenas mostrava um homem tomando banho feliz em uma cachoeira, uma alusão
à generosa quantidade de água que a ducha fazia cair sobre seus
usuários. Infelizmente não foi possível identificar a produtora
do filme.
Depois de muitos
anos a campanha acabou saindo do ar e por pouco não foi definitivamente
arquivada: o dono da companhia queria sofisticar a linha de produtos e achava
que o jingle identificava a marca como algo dirigido às classes populares.
Pesquisas mostraram, entretanto, que a canção transcendia esse
público e era muito bem aceita por todas as camadas sociais.
Assim, a empresa
passou a oferecer produtos de maior valor sem abandonar sua comunicação
tradicional, embora tenha permanecido fora da mídia por algum tempo.
Em 2006, a Corona voltou a investir na divulgação de seus lançamentos,
ações de merchandising em programas como Big Brother Brasil (da
Globo) e Pânico na TV (Rede TV). Em algumas lojas foram colocados displays
interativos, que tocavam o jingle quando alguém passava diante da peça
em exposição.
E as novas gerações
também vão aprender a cantar Apanho um sabonete, pego uma
canção e vou cantando sorridente, duchas Corona, um banho de alegria
num mundo de água quente / Apanho um sabonete, abro a torneira e de repente
a gente sente, duchas Corona, um banho de alegria num mundo de água quente
/ apanho um sabonete, é duchas Corona dando banho em tanta gente, duchas
Corona um banho de alegria num mundo de água quente.
Para participar
mande seu e-mail para cvizeu@vanguarda.tv
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