Antigamente, era fato, a estatística não falhava: no orçamento da “casa”, verbas para 4 enterros por ano. Com a constatação da longevidade, esse número foi reduzido para “um candidato e meio”, morto a cada ano.
Depois de ter eleito uma candidata de 94 anos, a Academia agora quer popularidade. E nesse item, existem apenas 3 ou 4 nomes “academicíveis”, sendo que dois não preenchendo o quesito “popularidade”.
Alguns querem a Academia há muito tempo, não se manifestam, porque o que mais irrita o acadêmico, é o “candidato declarado”, pois comentam logo: “Ele quer a minha vaga”. Nesse item, do desejo reprimido, o Ministro Eros Grau, e o jurista-tributarista, Ives Gandra Martins. Só que falta aos dois, quem “empurre” suas candidaturas.
A bancada de São Paulo, como sempre, tem candidato. E quando a vaga é de um paulista, aí se juntam e tentam confeccionar, sob medida, não o fardão, mas quem vai vesti-lo. Gandra Martins poderia ser, tem títulos, mas falta se projetar academicamente.
Eros Grau, que dizem ser um “excelente poeta erótico”, provocou do Millor, o seguinte comentário-pergunta: “Que diabo é isso de poeta erótico?”. Ninguém sabe responder, nem mesmo os acadêmicos com quem converso. Como jurista, Eros não se elege, apesar de Ministro do Supremo. Contra ele: mesmo na era dos julgamentos televisados, não se destaca. Tem que esperar.
Martinho da Vila, é apenas um devaneio do presidente Marcos Villaça. Apoiando publicamente o Ziraldo, incentiva o compositor, que evidentemente tem popularidade. Mas do Sambódromo à Academia, Villaça só conseguiu que Martinho da Vila “atravessasse”. Não o trânsito da rua, que perto da Academia é terrível, mas até mesmo o conluio com os acadêmicos, esse, “intransitável”.
Diante disso, (sem contar os 25 ou 30 que aparecem sempre) sobram apenas Ziraldo e FHC. O cartunista best-seller, é candidato não de hoje, e se arrisca, não esconde que gostaria de vestir o fardão.
FHC é sempre lembrado, gostaria de entrar para a Academia, mas não se arrisca. Sabe que tem grandes inimigos lá dentro. Arnaldo Niskier desde anteontem já tenta mobilizar a Academia para não aceitar o ex-presidente. E já convenceu alguns.
Outro ex-presidente, Sarney, já vetou FHC várias vezes, mesmo sem ele ser candidato. Só que agora, Sarney não tem cacife para vetar ninguém. Mas o próprio presidente da Academia cumpre esse papel, explica que, “neste momento de campanha eleitoral, não é hora de eleger um político”. Principalmente contra o presidente Lula. Aliás, há quem lembre o nome de Lula, preenchendo o item de popularidade, com uma forma mais inconfundível, que é o reconhecimento internacional.
De modo que, se não aparecer um Oscar Niemeyer, (tantas vezes convidado, sem aceitar), ou um Chico Buarque, (já convidado há 8 anos pelo próprio Villaça), que não aceita por causa do veto do pai à Academia, a disposição é a que tracei, depois de gastar uma fortuna em telefonemas.
Resta para FHC, se tiver coragem, tentar repetir o exemplo de Roberto Marinho. Este queria entrar para a Academia, mas reconhecia que teria muitos vetos em vez de votos. O presidente da Academia, Austregésilo de Athayde, fazia mesmo acadêmicos. Completou uma lista de acadêmicos, com 23 nomes que votariam no dono de O Globo.
Austregésilo entregou a lista a Roberto Marinho, pediu em troca uma carta de candidato. Marinho mandou, um primor de ambiguidade. Em nenhuma frase, linha ou parágrafo, alguém podia “constatar” que é a comunicação de um “candidato. Assim mesmo foi eleito.
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PS – De modo que, em toda a História da Academia, Roberto Marinho é o único que se elegeu sem ser candidato. Se FHC tivesse coragem e um Austregésilo na sua vida, poderia repetir o fato.









Se for na base do “me dá porque eu quero”, a vaga fica para o Ziraldo. O menino maluquinho entrega até a panela em troca da imortalidade do fardão.
Tem quem diga que o Lula é cotado pra vaga, ele anda ganhando todas mesmo que se rolar eu não fico surpreso!hahahaha
Sempre que se vê esse jogo político para eleger um “imortal” me lembro de Mario Quintana. Como é que se aceita alguém como Sarney na Academia e se veta o grande poeta.
Ainda bem que ele tinha razão, eles passarão.
Quem deve estar agora esfregando as mãos, fazendo todo tipo de oração e tudo o mais é o Jô Soares. Ele se acha um dos maiores intelectuais do Brasil, através de seus livrecos de segunda classe. Mas não será dessa vez; é bom ele esperar deitado.
E se for o Ziraldo, ele vai tomar posse vestindo fardão ou um coletão?
A Academia já teve de tudo Getúlio Vargas,que nunca escreveu absolutamente nada que prestasse e que foi eleito únicamente por subserviência e temor reverencial de alguns acadêmicos.Teve também o caso do general Lira Tavares escolhido pelo mesmo motivo.Por isso não seria para mim nenhuma surpresa se o presidente Lula,o “Filólogo do Menas” fosse eleito para alguma cadeira.Ele,ao “menas”, tenho certeza faria um discurso de posse curioso e certamente contaria,que o único “livro” que tentou ler foi a “Lista Telefônica dos Assinantes da Cidade se São Paulo”,mas logo desistiu,pois confundiu-se com o grande número de personagens.Em matéria de ABL fico com o grande Vinicius de Moraes,que perguntado,por alguns repórteres,se Carlos Drummond de Andrade iria seria eleito para a Academia,respondeu depressa:”Tadinho! Que mal que ele fez?”
Helio,
O seu processo, isto é de seu jornal invadido e destruido pelo regime vai ser julgado por Joaquim Barbosa quando? Em 2080?
Hélio, excluindo o nosso(?)presidente Luis Inácio Lula da Silva, que se quizer será empossado como imortal, o candidato forte(?) é o Ziraldo. Tido como héroi e perseguido político (o que aconteceu com ele foi tão pouco que ninguém soube ninguém viu), recebeu do governo do seu partido, PT, uma “montanha’ de dinheiro sem pejo. Apostem, é poule de dez.
Hélio, Repito meu comentário, já que sumiu da tela: não é minha praia especular sobre eleições da ABL. Mas, a meu ver, FHC tem que esperar muito. Não precisa nem do trabalho contra, do Sarney, como você salienta e antever. Creio que o ministro Eros Grau ganha a vaga de José Mindlin, na disputa com Martinho, Ziraldo e outros bichos diluvianos.
Jornalista, qual foi o veto que o pai do Chico Buarque aplicou que impede o grande artista de se eleger?
Uma lista dos que poderiam: Milton Hatoum, Ferreira Gular,Nauro Machado,Ruben Fonseca….
fala sério chico buarque?,martinho da vila?, é academia brasileira de letras mas é para escritores e não letristas pseudos.
Sobre possíveis candidatos a vaga de José Mindlin, você esqueceu o do tradutor e escritor pernambucano Geraldo de Holanda CAvalcânti, embaixador de carreira e genro de Dilermando de Assis, o homem que matou o escritor Euclides da Cunha a 101 anos atrás.