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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 | 07:00

Farsa e fraude no mundo: os falsos prejuízos bancários, mas os banqueiros (e as seguradoras) continuam pagando fortunas a eles mesmos

A frase-conceito é atribuída a Lenine, mas é rigorosamente verdadeira, dita por qualquer um: “Mais ruinoso do que ASSALTAR um banco é FUNDAR um banco”. Pronunciada há exatos 90 anos, a frase definição vem se consolidando e dominando o mundo.

Os movimentos guerrilheiros que dominaram o mundo a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, se financiavam e cresciam assaltando bancos, mas não conseguiram destruí-los. Pelo contrário, esses bancos cresceram incorporando outro setor invencível e cada vez mais lucrativo: o das seguradoras.

Esses bancos e seguradoras foram se tornando cada vez mais poderosos e pior: indispensáveis. As seguradoras não “seguram” coisa alguma, o lucro delas é cada vez maior, na medida em que reembolsam cada vez menos, ou quase nada.

Seguradoras, praticamente ligadas a bancos, se refugiam na burocracia e no que chamam de “franquia”, que é a forma de não bancarem nada, para eles tudo é lucro. Há tempos, um poderoso dono de seguradora, me dizia, num rasgo de sinceridade: “Helio, não devia te dizer isso, mas em matéria de automóvel, só vale o seguro que protege conta roubo ou perda total. O resto é desperdício de dinheiro”.

A poderosa AIG, tida como a maior seguradora do mundo, (junto com a Prudential) apresentou prejuízos fantásticos, praticamente inacreditáveis. Mas era e continua sendo farsa, fraude, fantasia para enganar pessoas físicas obrigadas a fazerem seguros. E até governos, (como o dos Estados Unidos) que “sensibilizados” com esses alegados prejuízos, despejaram fortunas para “salvá-las”.

Junto com essas seguradoras estão os bancos. Sempre ligadíssimos, (os gerentes de bancos são os maiores vendedores de seguros, pura intimidação e até chantagem), é impossível garantir quem ganha mais alegando prejuízos.

Os bancos no mundo inteiro, mantêm uma rivalidade destruidora para ver quem lucra mais. (Aqui no Brasil, Bradesco e Itaú estão sempre na frente de todos, os lucros ficam na casa dos bilhões. E o resto do mercado é dividido por multinacionais, que vieram para cá sem dinheiro, exatamente como a indústria automobilística, “tomaram” os bancos estatais, quando precisavam, recorriam ao BNDES. E este, “investia” o dinheiro do cidadão, nessas fábricas de exploração).

Esses bancos potências apresentaram prejuízos inimagináveis, mas seus diretores não mudaram o mínimo no padrão de vida, continuam recebendo fabulosas bonificações de fim de ano. E até durante o ano. E o governo Bush contribuiu para SALVÁ-LOS, com a primeira doação de 700 BILHÕES DE DÓLARES. Agora, descobriram o que consideravam impossível: desvio desses recursos.

Era a coisa mais previsível: não existe um só país no mundo que distribua graciosamente 700 BILHÕES DE DÓLARES sem que haja intervenção da corrupção. Esta não é privacidade apenas no Brasil, domina o mundo inteiro.

Agora, economistas, consultores e especialistas (?) garantem: “Até o fim de 2010, os bancos precisarão de mais 4 TRILHÕES DE DÓLARES para cobrir prejuízos. Esses “prejuízos” serão cobertos, lógico, com o dinheiro do contribuinte.

No início da chamada crise financeira, fiz uma afirmação e duas perguntas. 1 – Essa crise FINANCEIRA, será transformada em crise ECONÔMICA, sem dúvida. 2 – De onde vem tanto dinheiro? 3 – Para onde vai tanto dinheiro? Todos sabem as respostas, ninguém se interessa. A crise está longe, bem longe de apontar para uma solução.

Apesar dos governos devastarem as reservas (principalmente na Europa e nos EUA) o mundo não terá socialismo. O capitalismo é invencível, Marx já havia localizado e ensinado: “A eternidade do capitalismo é a fome do trabalhador”.

* * *

PS – Em todos esses acontecimentos, o surpreendente, mas surpresa das grandes, é a desvalorização do dinheiro, qualquer que seja o nome da moeda.

PS2 – A minha geração aprendeu e viveu com o MILHÃO. As gerações seguintes conviveram com o BILHÃO. Agora, o mais comum e rotineiro é o TRILHÃO. O milhão é coisa pré-histórica, o bilhão ficou no passado, quem citar outro valor que não seja o trilhão, estará ultrapassado.

PS3 – A melhor prova disso tudo: Lula, triunfante, afirmando, “estamos emprestando 10 BILHÕES ao FMI”. Esse mesmo FMI amaldiçoado, na verdade, não tanto quanto o CONSENSO DE WASHINGTON.

PS4 – Com ar triunfante, Obama retumba: “Vamos aumentar os impostos dos RICOS, PESSOAS FÍSICAS E EMPRESAS JURÍDICAS EM QUASE 2 TRILHÕES”. Pelo menos isso. Mas os 16 TRILHÕES “emprestados” a esses mesmos grupos, onde estão?

10 comments to Farsa e fraude no mundo: os falsos prejuízos bancários, mas os banqueiros (e as seguradoras) continuam pagando fortunas a eles mesmos

  • Luiz Martins da rocha

    Caro Hélio.Li estarrecido que o cidadão que paga uma previdência privada,ocorrendo a falência ou fraude,o banco responsável não responde com seus ativos para ressarcir os clientes.Quem sonha com uma velhice tranquila e compra ações,a lei não garante,mesmo numa falência fraudulenta o reenbolso do investidor,é por essas e outras que os transatranticos que demandam nossos portos estão aborrotados de velhinhos,enquanto os nossos,lutam para sobreviver.

  • Jose Guilherme Schossland

    Helio, tanto aqui quanto lá, os trilhões doados via “empréstimos” é mero “acerto de contas” do não contabilizado nas campanhas de “todas as camisas” de uma só “confecção”.

  • Luiz Cordioli

    Parabéns, Hélio, este é tema que deveria ser permanente, enquanto não fosse solucionado. Os países gerando trilhões para o sistema bancário e seus braços disfarçados. Os números finais, nas minhas contas, que as faço para saber aonde estamos indo, já passaram de quatrilhões há muito tempo. As nossas privatizações fernandinas, ultrapassaram o quatrilhão, é só somar e ver o que já ocorreu nestes 10 anos dos crimes perpetrados. E o cara tem até Fundação…Deveríamos alterar-lhe o nome para Afundação… Mas o surpreendente (e desanimante) é a apatia generalizada e esta convicção quase mística de que “É assim mesmo!”, “Fazer o quê?”, “Não dá para fazer nada.”. Isto sim, é o triste desta história toda. Desconhecem os números, mas não acreditam quando alguém os mostra, explícitos, cruéis e doloridos… E, apáticos os prejudicados, segue tudo como previsto. Ou como dizem os chineses “E cosi la nave va” (:o))). Abraços. Persista no tema.

  • Brilhante artigo, parabéns Hélio Fernandes ! Excelente ! Leio a TI on line diariamente ! Tribuna da Imprensa – um jornal imprescindível !

    Feliz Losar ! Ano Novo Budista Tibetano ! (No próximo dia 14/02, Lua Nova, Ano do Tigre.)

    Ainda ontem, no Grupo Sákya-RJ, de estudos tibetanos, falamos (muito bem) de você e da Tribuna. Uma das senhoras presentes disse que, em tempos idos, foi repórter da gloriosa Tribuna da Imprensa. Ou seja, os budistas gostam de você, dos seus ótimos textos e dos demais colaboradores.

    “Saúde e vida longa, Hélio Fernandes, para continuar nos brindando com aulas tão magníficas quanto a de hoje !”

    (esta expressão: “Saúde e vida longa” é uma forma budista de saudação).

    Antonio Carlos Rocha

  • Carlos Guimarães

    Caro Hélio, como sempre sua análise sobre o sistema financeiro, uma aula plena de lucidez. Por vezes, acho que vivemos na mítica Caverna de Platão, e tomamos por realidade as sombras que os grandes acham conveniente projetar na parede de nossa consciência, dando as costas para a realidade mais rica que fica lá fora… Não tentendo, realmente, como podemos ter orgulho de uma “civilização”, de nos considerarmos seres racionais, Homo Sapiens, quando, dainte dos fatos, o mais correto seria que nos chamássemos de Homo Demens… Mas, como diria Renato Russo, diante do embotamento da percepção, nos resta, parece, ter um “sorriso tolo, parecendo com soluço, enquanto o caos segue em frente, com toda a calma do mundo”…

  • Demorou mas conseguiram acabar com o capitalismo. Virou tudo estatal. Farra com o dinheiro público, principalmente para a Diretoria. Vide Petrobrás. Por acaso é diferente ? A esquerda deveria estar contente.

  • jose antonio

    Não é “privacidade”, é “privativa do”.
    Os recursos emprestados não vem do contribuinte. Eles (os recursos) são em muito superiores ao total da arrecadação.

  • jose antonio

    O pagamento de bonificações a diretorias de empresas que contabilizam prejuízos é uma excrecência técnica e contrariam o próprio conceito de bonificação.

  • Parabéns pela matéria!!!

    Banco é o pior vício da humanidade… é também o início e o fim do mundo como o conhecemos hoje… do capitalismo selvagem, autofágico e despropositadamente sem saídas para um mundo mais equitativo!

    Grande abraço!!!

  • Carlos

    Caro Hélio.

    Gostei muitíssimo da matéria, Parabéns!!!

    Agradeço por existir formadores de opinião, que estão ai para tentar abrir os olhos das pessoas que ainda acreditam que esta “CRISE” toda foi mero acaso do destino.
    Se analisar o caso vemos semelhança no passado. Tudo armado para que os banqueiros faturem com a crise e continuem a escravizar a massa.
    Abraços

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